Luang Prabang – Laos




O aviao comecou a descer. Abaixo de nos, um mar interminavel de montanhas e florestas. O verde da mata, o relevo da geografia, o ceu claro e limpo, o Rio Mekong recortando a paisagem com suas aguas avermelhadas, foi emocionante chegar em Laos.

O caminho do aeroporto ate o centro tambem veio recheado de boas surpresas. Laos contraria aquela ideia que temos de paises asiaticos, superpovoados e com transito caotico. O Al ja havia estado ali muitos anos atras e a primeira referencia que fazia era de que o pais parecia estar eternamente cochilando.

E assim, viemos pela estrada de terra avermelhada, passando por casebres de madeira, com as montanhas maravilhosas ao fundo. Cortamos rios, passamos por pontes de concreto antigas, uma sensacao de tranquilidade geral apenas sendo interrompida por algumas motinhos, que devem ser o meio principal de transporte por estas bandas, ja que quase nao vi carros.

Outra sensacao que tive foi a de isolamento. Laos parece ter sido trancado numa aboboda que o separa do restante do mundo. O regime comunista em muito atrapalhou seu desenvolvimento. Mas tambem, ali foi o pais mais bombardeados do planeta. Visto como um dos pontos-chaves para a contencao do avanco comunista no Sudeste da Asia, Laos foi praticamente estracalhado por um arsenal poderoso americano. Cerca de 270 milhoes de minibombas foram lancadas sob o pais durante as decadas de 60 e 70 e quase um terco delas ainda nao explodiram. Alem de ser uma das grandes causas de acidentes no pais, elas tambem tornaram uma consideravel parte de seu territorio inaproveitavel.


Chegamos em Luang Prabang no finalzinho da tarde. Nosso hotel ficava a frente do Rio Mekhong, numa rua cheia de restaurantes, com terracos as margens do rio, que parece ser o coracao das cidades deste pais. Caminhando pelas ruas de paralelepipedos, foi facil entender porque dizem que esta e uma das cidades mais bonitas de Laos. As ruas de pedra ostentam casaroes antigos, ainda do periodo da Indochina, e estes vivem lado a lado com templos budistas, casebres e mercadinhos orientais.

E uma estranha e bela mistura, os detalhes europeus ainda presentes, seja nos postes de iluminacao pretos, que lembram aqueles de Paris, monges com seus robes laranja passeando tranquilamente, adolescentes guiando a moto com uma mao e segurando um guarda-chuva na outra, um cenario tao diferente, como se cozinhar coq-au-vin, com molho de shoyu.

Caminhamos um bom tempo pelo centro, a cidade e bem pequenininha e e facil cruza-la de canto a canto. Experimentamos um excelente ‘Lap’, um prato tipico daqui que consiste em uma carne moida, temperada com ervas da regiao e bastante pimenta, que geralmente e servida com salada. Maravilhoso.

A noite por aqui e bem tranquila. Acho que o turismo no pais ainda esta dando os seus primeiros passos e, embora encontremos alguns mochleiros aqui e ali, a cidade dorme cedo, e acorda cedo tambem.

Fazia muito tempo desde a ultima vez em que acordei com o galo cantando. Descemos as escadas do hotel e a senhora que trabalhava ali ainda estava ajeitando a sala, que de noite vira um quarto onde um senhor e algumas criancas dormem.

Atravessamos a rua e fomos ate o restaurante logo de frente. A paisagem estava linda, o rio avermelhado com suas aguas rapidas volta e meia ostenta um daqueles barcos finos e compridos, aqui conhecidos como ‘long boats’. Alguns vinham carregados de locais, vindo de algum vilarejo nas proximidades do rio, para resolverem seus afazeres na cidade, como ir a um supermercado, ir no medico, etc. Outros, com turistas explorando as atracoes ao longo do Mekhong.

Estudamos nossas opcoes para o dia, e decidimos ir ate a Kuangsi Waterfall, ha cerca de 36 km ao sul. Esperamos dar o horario de saida de nosso tour e seguimos para la, num dos cafes. O Al tem razao, a cidade parece estar sempre sonolenta, olhando dentro dos carros parados, motoristas cochilam durante o dia, enquanto nao aparecem passageiros. O mesmo acontece com as casas que porcausa do calor forte, deixam as portas abertas e la de fora da para ver os pezinhos das pessoas deitadas no chao.

E ai deu para entender, existem lugares no mundo onde o ritmo e diferente. Nos estamos acostumados a acordar, correr, mal tomar cafe da manha, sentar no carro, ir trabalhar, correr o dia inteiro e voltar para casa e continuar correndo. Ali nao, ali o tempo passa devagar, a vida segue tranquila, voce acorda quando tem que acordar e corre, se tiver que correr. E ali conclui que nao sao eles que sao dorminhocos. Somos nos que somos estressados.

Nosso motorista veio nos chamar e depois de algumas horas de estrada, chegamos ate a cachoeira. Ela fica num parque nacional que tambem e um refugio para ursos. As quedas sao divididas por planos e, olhando de frente, assemelha-se a uma torre de tacas de champagne. Na luz do dia, o visual era simplesmente maravilhoso.

Fizemos uma trilha ate o topo que foi extremamente cansativa, mas cair na agua debaixo daquele calor, foi um sonho. Retornamos a Luang Prabang no final da tarde e fomos ver os mercados de rua. A cidade tem dois mercados bem famosos, o principal deles e o Phousy Market, ao Sul do centro da cidade. Foi bacana, mas confesso, nao da para compara-los com os megamercados de Chiang Mai.

No dia seguinte, fomos ate o porto e pegamos um longboat pelo rio, ate a Pak Ou, ou a ‘Caverna de Budha’, como tambem e conhecida, ha cerca de uma hora de Luang Prabang. O lugar na verdade e formado por duas cavernas, que vem sido utilizadas ha mais de quinhentos anos por moradores locais.

Eles trazem estatuetas de Buda e ali as deixam para adoracao. Hoje ha cerca de centenas de imagens espalhadas por ali.


Nos arredores, varias criancinhas vendiam uns passarinhos presos em gaiolas minusculas. Nao entendi se estavam vendendo os passarinhos ou se o dinheiro seria para solta-los, ja que as jaulinhas eram tao pequenas que eles mal podiam se mover.

Na volta, paramos em Ban Xang Hai, um vilarejo as margens do rio que tambem e conhecido como ‘Whisky Village’, porque produzem ‘Lao Lao’, uma bebida de alto teor alcoolico. Acompanhamos a preparacao e provamos um pouquinho, e sim, lembra um pouco whisky, embora nao seja grande conhecedora do assunto.

Voltamos a Luang Prabang e passamos nossa ultima noite na cidade num barzinho super bacana.

Pela manha, arrumamos nossas coisas. Nosso voo ate Vietiane sai apenas no final da tarde, entao usamos o restante do tempo para conhecer alguns templos. Ha alguns templos que ficam na colina de Phu Si, e a subida ate ali, embora cansativa realmente vale a pena. No caminho, fomos encontrando estatuetas douradas de Buda, em diversas posicoes de meditacao diferente. La de cima, a vista era simplesmente fenomenal.


O caminho abaixo tambem foi de encher os olhos, ja que fomos descendo uma escadaria de pedras maravilhosa. Ficamos tao encantados com o lugar que quase esquecemos da hora. Corremos de volta ao hotel, e saimos pelas ruas como doidos atras de um taxi para o aeroporto. Quando finalmente conseguimos, nos despedimos da tiazinha do hotel e pegamos estrada.

Para nossa sorte, o taxi quebrou no meio do caminho. Um tuk-tuk que por ali passava topou nos levar ate o restante do percurso e assim, aos trancos e barrancos chegamos em cima da hora para o nosso voo. Ainda deu tempo de olhar para tras e rever a sensacao que tive quando cheguei ali e me encantar novamente com este lugar tao especial.

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